segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Vandalismo e Roubo de Placas de Identificação, Sinalização e Orientação Turísticas no Vale do Pavão em Visconde de Mauá


 texto de Marcelo Brito

O Parque Estadual da Pedra Selada (PEPS) informou na última semana de janeiro de 2017, que todas as seis placas de identificação, sinalização e orientação turísticas instaladas no Vale do Pavão, Região Turística de Visconde de Mauá, foram criminalmente vandalizadas e algumas removidas de seus locais de instalação.

A instalação original das placas, que tinham por objetivo informar e orientar aos turistas, gerou descontentamento por parte de certos moradores e comerciantes por conta de seu conteúdo e aspecto físico.

Na ocasião, reclamações foram encaminhadas à direção do Parque, alegando que o conteúdo de seus textos, informando sobre as condições da estrada, afugentam turistas e clientes; opiniões foram publicadas em redes sociais reclamando do aspecto e tamanho das placas que estariam resultando em uma "poluição visual"; ainda houve reclamações também com relação ao dano ambiental que as indicações de acesso ao Poço do Marimbondo poderiam resultar. O poço citado é um atrativo aquático com área de banho de cachoeira e piscina natural situado em território da Unidade de Conservação (PEPS).

Conteúdo do Texto nas Placas


A primeira polemica foi em torno do texto de uma placa colocada a 150 metros do trevo de entrada do Vale do Pavão, na área de uma antiga saibreira, voltada para quem segue da RJ-151 para o Poço do Marimbondo. O texto da placa indicava a distância para o atrativo (6 KM), e informava sobre as condições da estrada (“Estrada com trechos em condições precárias, sem local adequado para estacionamento e manobra”).

O local aonde a placa foi instalada oferece um espaço para estacionamento e manobra de veículos daqueles que porventura não queiram se arriscar a seguir em frente. Alguns estabelecimentos comerciais adiante também oferecem um espaço para seus clientes. Porém, alguns dos comerciantes do Vale, ficaram sob a impressão de que a placa afugentaria possíveis clientes de seus serviços.

A placa foi apedrejada e derrubada por anônimos. O Parque a reinstalou depois de cobrir parte do conteúdo de seu texto e se comprometer em modificá-lo.

Placa informativa apedrejada e derrubada 
A prefeitura de Itatiaia, a mesma que é a responsável por realizar a conserva da estrada, reclamou da localização da placa alegando utilizar o local como área de depósito de materiais. O Parque mudou a placa de local para melhorar o acesso ao material depositado no local (saibro, escória, resíduos de obra e lixo). O novo local escolhido prejudicava a visibilidade da placa para quem passasse de carro.


Placa reinstalada com seu texto parcialmente coberto, um compromisso
 feito pela gestão do PEPS, veículos pesados da prefeitura atrás da
viatura do parque 

A placa acabou sendo retirada por decisão do próprio Parque, uma vez que estava toda amassada pelas pedras jogadas nela. O gestor argumenta que a questão será resolvida no futuro.


Aspecto Físico das Placas


Houve reclamações relativas ao tamanho das placas, tamanho de seus caracteres e suas cores.

O tamanho, layout, texto e gráficos nas placas são todos elaborados em conformidade com manuais de sinalização do INEA, DNIT e com a legislação vigente. Essas coisas não são feitas de “orelhada”, existem estudos técnicos que apontam para estas soluções. É preciso levar em conta a velocidade com que um veículo se aproxima da placa (no caso de estradas) e o plano de fundo desta placa (ELA PRECISA SER AVISTADA, SE FOSSE PARA ELA FICAR ESCONDIDA E NINGUÉM VER, PORQUE INSTALAR A PLACA?)

Foram utilizados quatro documentos como referência para a elaboração destas placas de sinalização:

- Manual de Confecção de Placas para Unidades de Conservação (INEA, 2014);
- Manual de Sinalização de Parques e Reservas do Rio de Janeiro (INEA, 2009);
- Manual de Sinalização Rodoviária (DNIT, 2010)
- Guia Brasileiro de Sinalização Turística (Ministério do Turismo, 2015)


Indicações de Acesso ao Poço do Marimbondo


Aqui, a argumentação é variada e contraditória.

Tem gente, comerciante e morador, que argumenta que o acesso ao Poço do Marimbondo não deve ser divulgado, ou facilitado, como uma medida de preservação, e que o Poço precisa ser “protegido” da ação predatória do “mau-turista”. Alguns vão ainda mais longe nesta argumentação, e afirmam que não é função do INEA (e nem do Parque) fazer a divulgação de atrativos turísticos.

Guarda parques trabalham no manejo
de trilha para o Poço do Marimbondo

O curioso, é que a grande maioria dos que usam destes argumentos, também foram a favor da instalação do asfalto nas vias de acesso à Região Turística de Visconde de Mauá (RJ163 e RJ151). Principal responsável pela explosão descontrolada do aumento no movimento turístico, especulação imobiliária e ocupação desordenada da região, que não contava antes, e continua sem contar, com uma infra-estrutura adequada para absorver os novos problemas causados por esta “benfeitoria” do Governo do Estado do Rio de Janeiro. 

Muitas destas pessoas eram favoráveis a instalação de um Parque na região, sob o argumento de que “era necessário conter o processo de favelização e expansão do Lote 10 (humilde bairro de trabalhadores da região, no município de Resende). A preocupação expressa era a de que uma “favela” afugentaria e espantaria o movimento turístico. A ideia inicial destes “líderes” da região era a criação de um pequeno parque municipal no entorno do bairro. Assustaram-se quando o INEA apresentou a proposta do Parque, como opção para salvaguardar área ambiental estratégica, e não se ergueram para combater a proposta junto com os produtores rurais por receio de perder o apoio do órgão licenciador das obras nas estradas de acesso. O município, neste caso Resende, desistiu da proposta de criação de seu Parque (por falta de condições financeiras) e o parque do estado incorporou a área do que seria o parque municipal. 

Porém, ao mesmo tempo, que reclamam da divulgação do PEPS, assistem de braços cruzados a seus “colegas” divulgarem o atrativo em redes sociais e sítios de Internet especializados em turismo na região. Dois de três dos autoproclamados sítios “oficiais” de Internet, que tratam de turismo em Visconde de Mauá, têm o Poço do Marimbondo entre os principais atrativos turísticos da região.

TripAdvisor lista Poço do Marimbondo como 3ª atração principal da região


O sítio TripAdvisor, que hoje é um referência virtual no assunto, lista o Poço do Marimbondo em 3º lugar entre suas recomendações sobre “o que fazer” e “cachoeiras”, atrás somente do Vale do Alcantilado e da Cachoeira do Escorrega, e a frente de Poção da Maromba, Cachoeira da Sta Clara, Pico da Pedra Selada, Véu da Noiva, e demais. Quem se der ao trabalho de ler entre as diversas avaliações feitas sobre o Poço do Marimbondo, reconhecerá o nome de diversos comerciantes e moradores locais entre seus autores.

O Poço do Marimbondo, para o bem ou para o mal, já está consolidado como atração turística. Cabe agora, "as pessoas de bem", auxiliarem no manejo do atrativo de modo a protegê-lo.

Guarda parques trabalham no manejo
de trilha para o Poço do Marimbondo (2).
 

Portanto, cobrir com tinta as "Normas de Conduta de Visitante", de uma placa com o nome do atrativo e a indicação da trilha de acesso, além de ser uma medida de ignorante é uma verdadeira agressão ao turista e à atividade econômica que tantos citam como sendo de fundamental importância para a sustentabilidade da região.

Cobriram com tinta as Normas de Conduta
de Visitante ao atrativo.



Em uma das avaliações, datada da semana passada, no TripAdvisor, portanto posterior aos atos de vandalismo, uma turista reclama explicitamente da falta de indicações para chegar ao local e cita as dicas recebidas em um dos restaurantes no Vale. 

Após a ação de Vandalismo, visitante registra no TripAdvisor,
a ausência de indicações