O Parque Estadual da Pedra Selada (PEPS) informou na última semana
de janeiro de 2017, que todas as seis placas de identificação, sinalização e
orientação turísticas instaladas no Vale do Pavão, Região Turística de Visconde de Mauá , foram
criminalmente vandalizadas e algumas removidas de seus locais de instalação.
A instalação original das placas, que tinham por objetivo
informar e orientar aos turistas, gerou descontentamento por parte de certos
moradores e comerciantes por conta de seu conteúdo e aspecto físico.
Na ocasião, reclamações foram encaminhadas à direção do
Parque, alegando que o conteúdo de seus textos, informando sobre as condições
da estrada, afugentam turistas e clientes; opiniões foram publicadas em redes
sociais reclamando do aspecto e tamanho das placas que estariam resultando em uma "poluição visual"; ainda houve reclamações também com relação ao dano ambiental que as indicações de acesso
ao Poço do Marimbondo poderiam resultar. O poço citado é um atrativo aquático com área de banho de cachoeira e
piscina natural situado em território da Unidade de Conservação (PEPS).
Conteúdo do Texto nas Placas
A primeira polemica foi em torno do texto de uma placa
colocada a 150 metros
do trevo de entrada do Vale do Pavão, na área de uma antiga saibreira, voltada
para quem segue da RJ-151 para o Poço do Marimbondo. O texto da placa indicava
a distância para o atrativo (6
KM ), e informava sobre as condições da estrada (“Estrada com trechos em condições precárias,
sem local adequado para estacionamento e manobra”).
O local aonde a placa foi instalada oferece um espaço para
estacionamento e manobra de veículos daqueles que porventura não queiram se
arriscar a seguir em
frente. Alguns estabelecimentos comerciais adiante também oferecem um espaço para seus clientes. Porém, alguns dos comerciantes do Vale, ficaram sob a impressão
de que a placa afugentaria possíveis clientes de seus serviços.
A placa foi apedrejada e derrubada por anônimos. O Parque a
reinstalou depois de cobrir parte do conteúdo de seu texto e se comprometer em modificá-lo.
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| Placa informativa apedrejada e derrubada |
A prefeitura de Itatiaia, a mesma que é a responsável por realizar a conserva da estrada, reclamou da localização da placa alegando utilizar o local como área de depósito de materiais. O Parque mudou a placa de local para melhorar o acesso ao material depositado no local (saibro, escória, resíduos de obra e lixo). O novo local escolhido prejudicava a visibilidade da placa para quem passasse de carro.
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| Placa reinstalada com seu texto parcialmente coberto, um compromisso feito pela gestão do PEPS, veículos pesados da prefeitura atrás da viatura do parque |
A placa acabou sendo retirada por decisão do próprio Parque, uma vez que estava toda amassada pelas pedras jogadas nela. O gestor argumenta que a questão será resolvida no futuro.
Aspecto Físico das Placas
Houve reclamações relativas ao tamanho das placas, tamanho
de seus caracteres e suas cores.
O tamanho, layout, texto e gráficos nas placas são todos
elaborados em conformidade com manuais de sinalização do INEA, DNIT e
com a legislação vigente. Essas coisas não são feitas de “orelhada”, existem
estudos técnicos que apontam para estas soluções. É preciso levar em conta a
velocidade com que um veículo se aproxima da placa (no caso de estradas) e o
plano de fundo desta placa (ELA PRECISA SER AVISTADA, SE FOSSE PARA ELA FICAR
ESCONDIDA E NINGUÉM VER, PORQUE INSTALAR A PLACA?)
Foram utilizados quatro documentos como referência para a
elaboração destas placas de sinalização:
- Manual de Confecção de Placas para Unidades de Conservação
(INEA, 2014);
- Manual de Sinalização de Parques e Reservas do Rio de
Janeiro (INEA, 2009);
- Manual de Sinalização Rodoviária (DNIT, 2010)
- Guia Brasileiro de Sinalização Turística (Ministério do
Turismo, 2015)
Indicações de Acesso ao Poço do Marimbondo
Aqui, a argumentação é variada e contraditória.
Tem gente, comerciante e morador, que argumenta que o acesso
ao Poço do Marimbondo não deve ser divulgado, ou facilitado, como uma medida de
preservação, e que o Poço precisa ser “protegido” da ação predatória do “mau-turista”.
Alguns vão ainda mais longe nesta argumentação, e afirmam que não é função do
INEA (e nem do Parque) fazer a divulgação de atrativos turísticos.
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| Guarda parques trabalham no manejo de trilha para o Poço do Marimbondo |
O curioso, é que a grande maioria dos que usam destes
argumentos, também foram a favor da instalação do asfalto nas vias de acesso à Região
Turística de Visconde de
Mauá (RJ163 e RJ151). Principal responsável pela explosão
descontrolada do aumento no movimento turístico, especulação imobiliária e
ocupação desordenada da região, que não contava antes, e continua sem contar,
com uma infra-estrutura adequada para absorver os novos problemas causados por
esta “benfeitoria” do Governo do Estado do Rio de Janeiro.
Muitas destas pessoas eram favoráveis a instalação de um
Parque na região, sob o argumento de que “era
necessário conter o processo de favelização e expansão do Lote 10” (humilde bairro de trabalhadores da região, no município de Resende). A
preocupação expressa era a de que uma “favela” afugentaria e espantaria o
movimento turístico. A ideia inicial destes “líderes” da região era a criação
de um pequeno parque municipal no entorno do bairro. Assustaram-se quando o INEA
apresentou a proposta do Parque, como opção para salvaguardar área ambiental
estratégica, e não se ergueram para combater a proposta junto com os produtores
rurais por receio de perder o apoio do órgão licenciador das obras nas estradas
de acesso. O município, neste caso Resende, desistiu da proposta de criação de seu Parque (por falta de condições financeiras) e o parque do estado incorporou a área do que seria o parque municipal.
Porém, ao mesmo tempo, que reclamam da divulgação do PEPS, assistem de
braços cruzados a seus “colegas” divulgarem o atrativo em redes sociais e sítios
de Internet especializados em turismo na região. Dois de três dos autoproclamados
sítios “oficiais” de Internet, que tratam de turismo em Visconde de Mauá , têm o
Poço do Marimbondo entre os principais atrativos turísticos da região.
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| TripAdvisor lista Poço do Marimbondo como 3ª atração principal da região |
O sítio TripAdvisor, que hoje é um referência virtual no assunto, lista
o Poço do Marimbondo em 3º lugar entre suas recomendações sobre “o que fazer” e
“cachoeiras”, atrás somente do Vale do Alcantilado e da Cachoeira do Escorrega,
e a frente de Poção da Maromba, Cachoeira da Sta Clara, Pico da Pedra Selada,
Véu da Noiva, e demais. Quem se der ao trabalho de ler entre as diversas avaliações
feitas sobre o Poço do Marimbondo, reconhecerá o nome de diversos comerciantes e
moradores locais entre seus autores.
O Poço do Marimbondo, para o bem ou para o mal, já está
consolidado como atração turística. Cabe agora, "as pessoas de bem", auxiliarem
no manejo do atrativo de modo a protegê-lo.
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| Guarda parques trabalham no manejo de trilha para o Poço do Marimbondo (2). |
Portanto, cobrir com tinta as "Normas de Conduta de Visitante",
de uma placa com o nome do atrativo e a indicação da trilha de acesso, além de
ser uma medida de ignorante é uma verdadeira agressão ao turista e à atividade
econômica que tantos citam como sendo de fundamental importância para a
sustentabilidade da região.
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| Cobriram com tinta as Normas de Conduta de Visitante ao atrativo. |
Em uma das avaliações, datada da semana passada, no TripAdvisor,
portanto posterior aos atos de vandalismo, uma turista reclama explicitamente
da falta de indicações para chegar ao local e cita as dicas recebidas em um dos
restaurantes no Vale.
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| Após a ação de Vandalismo, visitante registra no TripAdvisor, a ausência de indicações |







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